segunda-feira, 15 de abril de 2013

Comissão sem verdade

Depois do fim da ditadura militar no Brasil, os fardados deixaram claro que as feridas abertas pelo descontrole interno que gerou tortura, morte e desaparecimento de militantes da esquerda que queriam transformar o Brasil inteiro em algo parecido com Cuba, ou seja, um delírio juvenil e inconsequente, seriam cicatrizadas dentro dos quarteis. A abertura lenta e gradual, como foi inventada, tinha como moeda de troca a anistia ampla geral e irrestrita. A esquerda, que provou nos últimos anos que de esquerda nem slogan tem mais, tomou o poder e recentemente criou a tal Comissão da Verdade. Que não morde e não assopra, muito pelo contrário. Os fardados, que fazem parte do grupo mais corporativista da sociedade, não querem se triscados para que a ferida, que vai existir para sempre, seja aberta e exposta ao público, apesar de todo mundo saber as barbaridades que aconteceram nos porões e fora dele. Os da comissão não parecem ter medo de enquadrar a fera e exigir documentos e chamar para depoimentos aqueles que participaram das atrocidades. E, para arrematar, parecem ter esquecido que naquela "guerra" o lado dos que eram chamados de subversivos também cometeram crimes. Como estamos no Brasil, a comissão não é de verdade e a tendência é essa patuscada durar o tempo de desaparecer sem acrescentar nada ao que se conhece.

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