segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sampa

Olhei a plaquinha e vi o nome dos dois: Federico e Julieta. O apartamento numa rua sossegada e cheia de história em Roma. Um ano depois descobri que ele era brasileiro só porque teve um sonho do que eu vi em Sampa numa tarde/noite de sexta-feira no Centro Velho. Nada de caetanear e papagaiar a esquina da São João com Ipiranga. Desçam a ladeira Porto Geral, olhem o Parque Dom Pedro II de cima, entrem na 25 de Março e parem numa esquina para ver tudo. Não precisa andar, mas se quiser é só seguir e desviar de todos os tipos, todas as falas, todas as bugigangas, sons, cheiros, cores. Bundas, dentaduras, periguetes, vendedoras, madames disfarçadas, barrigas, olha aquele comendo o marmitex, olha o buraco na calçada entulhado de lixo, vai uma pamonha aí? Recordações, Galeria Pagé e a calça Lee americana sonhada depois de meses juntando dinheiro. Tem óculos de grau a dez paus, Neymar em tamanho gigante dentro de uma loja - e o bilau protuberante faz a cliente esquecer de comprar a cueca amarela da Lupo para o marido. Só se pudesse levar o recheio! Vamos subir de novo a ladeira. Churrasquinho de gato com fumaça, muita, e cheiro forte. Os bancários tomando tudo em bares antigos/modernosos no final de mais uma semana naquele que foi o centro financeiro da locomotiva. O prédio Martinelli se impondo, mesmo vestido para reforma. Muita polícia. Poucos craquelentos. Cinema puro. A câmera não desliga. Em homenagem ao italiano e sua musa. Que nos ensinaram a ver também o nosso povo.  

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