segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Paçocas

A coincidência foi que os dois frequentavam a mesma banca de jornal. Mas um deles, o escritor, mudou-se daquele bairro e foi ser famoso na vida. O outro continuou batendo ponto ali porque gostava do atendimento, tinha conta em caderneta, enfim, se sentia bem. O que foi embora deixou saudades no jornaleiro, apesar de torcerem por times rivais. Um dia o dono da banca soube, através do que continuou passando por ali, que o escritor iria receber uma homenagem. Perguntou então ao que passava ali toda semana se ele iria na festa. Ao saber que sim, tirou duas paçocas de um vidro, colocou num saquinho branco e escreveu uma dedicatória. Por um acaso do destino o que ia entregar a encomenda não pode ir à cerimônia. Deixou o pacotinho no porta-luvas do carro. Mas avisou, dias depois, o homenageado. E prometeu levar a encomenda num dia qualquer. Não foi, mesmo porque o agraciado trabalhava num lugar cheio de formalidades. Ele esperou a oportunidade, mas antes teve de vender o carro, mas tirou as paçocas dali. Porque acha que este vai ser um dos mais significativos presentes da vida do escritor. O jornaleiro também acha.

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